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REFLEXÃO DO EVANGELHO - PE JOÃO PAULO

REFLEXÃO DO EVANGELHO - PE JOÃO PAULO

 

PADRE JOÃO PAULO

VIGÁRIO PAROQUIAL DA PARÓQUIA DE SÃO MIGUEL ARCANJO - PQ ALBANO - CAUCAIA

PROMOTOR VOCACIONAL DO SAV DA REMNSP

 

REFLEXÕES VOCACIONAIS (TEMPO QUARESMAL)

SAV – REMNSP

03/04/2025 – Quarta-feira da IV Semana da Quaresma

Evangelho do dia: João 5, 31-47

A glória de Deus se mostra em Jesus e quanto mais vamos vendo e compreendendo a exigência do Evangelho, mais se percebe o quanto o Senhor é profundo em suas obras, por outro lado, se percebe, porém, como Deus age de modo diverso daquilo que criamos em nossas fantasias sobre como deveria ser o agir do Divino Senhor. São as obras de Cristo que testemunham que Deus está com Ele. Quais são essas obras? Seriam apenas os milagres e os sinais? Talvez de modo imediato poderíamos supor que sim. Entretanto, existe algo mais profundo, as obras de Deus se revelam também nas consequências do agir de Cristo, porque muitos poderiam fazer prodígios e atribuir isto a Deus para enganar os homens que, satisfeitos em seus egos, seguiriam de bom grado a charlatães, como muitos fazem ainda nos dias de hoje. Mas os sinais de Cristo testemunham que o agir de Deus vem em resgate do ser humano, plenifica a lógica do sábado e de outros ritos e da própria Lei de Moisés que ao longo da história foi deturpada por muitas pessoas ansiosas mais de verem seus projetos e concepções de mundo satisfeitos do que mesmo a vontade de Deus. Assim, não corremos o risco de fazermos também nós, na medida em procuramos utilizar o nome de Deus para impor nossa vontade ao invés de primeiro reconhecer sua presença? Cristo é perseguido porque o acusam de fazer-se semelhante ao Pai, nós porém perseguimos a nós mesmos quando recusamos a vida divina que o Filho, vindo do Pai, derrama sobre nós com a graça do Espírito. Façamos, portanto, a escolha certa, ouçamos a voz da vida e ante os elogios enganadores do mundo, tenhamos a coragem de permanecer fieis a Deus.

 

02/04/2025 – Quarta-feira da III Semana da Quaresma

Evangelho do dia: João 5, 17-30

É em Cristo que Deus Pai manifesta com plenitude seu poder e sua vontade, assim como age o Pai, também age o Filho em vista de levar à termo toda a obra da criação, inclusive resgatando a humanidade que cai. Contudo na medida em que Cristo manifesta, na carne humana o esplendor da glória de Deus, se levantam também as trevas, que não reconhecem a luz e lhe faz guerra (cf. Jo 1, 5-11). Assim como no princípio a Palavra de Deus tudo criara (cf. Gn 1), também agora seu Verbo tudo recria para a vida plena (cf. Jo 5, 24-26), porém os que negam a Palavra de Deus, ou seja, os que negam e fazer guerra à presença de Jesus onde quer que se encontre, este abraça a morte. Neste sentido entendemos o julgamento como manifestação da verdade do coração do homem, o Filho portanto julga de acordo com aquilo que escolhemos para nós. Portanto, sendo Filho, Jesus participa da mesma divindade do Pai, não por adoção, mas por natureza e manifesta essa vontade em suas obras e no julgamento. Sendo Deus, portanto, Cristo é a presença do Eterno na história, feito humano como nós. Quantas vezes, porém, vivemos nossa vida negando ou fazendo pouco caso dessa presença de Deus? Quantas vezes temos vivido apenas utilizando nossos costumes e práticas religiosas unicamente para satisfazer nossas vontades? O que será de nós, se não nos convertermos, quando chegar o último dia? O caminho do chamado não pode ser confundido como um caminho de fazer muitas coisas, mas em primeiro lugar um caminho de estar com Deus e deixar que ele trabalhe em nossas vidas, em nossa história. Aí então poderemos nos dizer verdadeiramente convertidos, não somente quando reconhecermos a divindade de Cristo, mas sobretudo quando obedecermos a sua voz.

 

01/04/2025 – Terça-feira da IV Semana da Quaresma

Evangelho do dia: João 5, 1-16

Onde encontrar a misericórdia de Deus? Como entrar, de fato por Betesda, isto é, a Casa da Graça ou da Misericórdia? De fato, passamos muito tempo de nossas vidas contemplando muitas coisas ao nosso redor procurando nelas algo que nos salve, muitos andam por aí procurando vestígios do Sagrado para que assim possam ter algo na vida que lhes mostre um outro caminho, uma outra oportunidade, uma outra forma de viver a vida. Neste afã de buscar a Deus, contudo, nem percebemos que ele também nos busca, que Ele vem ao nosso encontro, que é ele a presença real da Misericórdia, manifestada em Jesus Cristo. O Senhor Jesus, contudo, desejando restaurar o ser humano à condição primeira, sabe que também hoje é pecado que nos faz viver em condições cada vez piores, por isso muitos corações ainda que vejam a graça de Deus manifesta, mesmo aqueles do meio do povo eleito, podem se fechar à novidade de vida trazida por Jesus. No Evangelho de hoje já podemos ver que se começa a desenhar no coração de algumas pessoas a raiva contra Jesus, não porque ele faz algo de ruim, mas porque interfere naquilo que seu orgulho tinha por certo, porque assim que Deus faz, para salvar o homem fere a lógica mundana, sobretudo quando esta se instala nos corações dos que se dizem mais religiosos. Em nossas vidas, a misericórdia, a graça, é alcançada quando nos permitimos encontrar por Deus.

 

31/03/2025 – Segunda-feira da IV Semana da Quaresma

Evangelho do dia: João 4, 43-54

Jesus passa a curar as enfermidades do homem. Ainda que as maiores dores do homem não sejam aquelas que ferem seu corpo, mas sua alma e seu coração, por impedirem de crer e viver a vontade divina. Ainda assim, Jesus passa a curar o coração angustiado do homem, de todo aquele que o busca com confiança e sinceridade. Este último é um ponto chave, embora Senhor poderoso, Jesus não se deixa enganar pelos falsos tratamentos das pessoas, pela falsidade com que muitos, ainda hoje dele se aproximam como que para tenta-lo a fim de ver suas obras, mas o Bom Senhor se deixa mover por aquele coração, ainda que distante, se confia inteiramente nele. Então sim, a confiança plena em Deus é capaz de curar não apenas o corpo adoecida, mas também de aproximar com novo ânimo o espírito abatido do homem para junto do Pai e de seu Eleito. Em nossa caminhada vocacional, isso é muito importante para termos em mente: é preciso confiar em Deus, não pelo interesse, não com um coração falso, mas com vida que se entrega, saber que no fim de tudo, sempre será Ele, o Bondoso Senhor que nunca nos decepcionará.

 

30/03/2025 – Domingo da IV Semana da Quaresma (Domingo da Alegria)

Evangelho do dia: Lucas 15, 1-3.11-32

A alegria esperançosa do retorno! É exatamente isto que a liturgia de hoje nos relembra: todos nós, independente do que tenhamos vivido ou passado, do local no qual estejamos perdidos, poderemos sempre voltar para a casa de Deus, para a casa de nosso Pai, sua Igreja, onde, de braços abertos o Senhor nos acolhe. Deus faz festa para nós. Que realidade bela podemos contemplar nessa quaresma, porque podemos notar que o caminho, por mais difícil que seja, por mais escolhas erradas que façamos, e humilhações que tenhamos de suportar, Deus estará sempre pronto para nos acolher, porque Ele espera por nós, mesmo quando lhe viramos as costas, mesmo quando brincamos ou desprezamos a sua graça, Ele está ali, nosso Pai está ali pronto para nos abraçar, para nos limpar dos males que o mundo tão cruel causou em nossas vidas, mentes e corações. Mas não somente a nós, porém a todos que o buscam, o Senhor está disposto a acolher. Por isso, o Evangelho hoje nos apresenta uma outra atitude que deve ser evitada a todo custo. Não podemos nos colocar em nível de superioridade diante de nossos irmãos, a graça que cada um de nós encontramos na casa de nosso Pai, é a graça que ele deseja derramar mesmo sobre aqueles que ainda caminham distantes, com a misericórdia com a qual fomos resgatados, Deus deseja resgatar muitos outros. Quanto a nós, se aprendermos a amar com o Amor de Deus, deveremos também partilhar da alegria esperançosa do retorno com todos que desejam o abraço de Deus. Não caiamos no mesmo erro daqueles fariseus que criticavam a Jesus por se aproximar dos pecadores e publicanos, nem tampouco demos ouvidos aos que assim agem, mas tenhamos a coragem de nós mesmos nos aproximarmos de Deus e permitir que muitos outros se aproximem. A graça de Deus tudo faz para melhorar nossa vida, limpar, festejá-la e dignificá-la.

 

29/03/2025 – Sábado da III Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 18, 9-14

Elevar-se diante do mundo requer reconhecer quem verdadeiramente é superior. Cristo Jesus é a ponte que nos faz subir das amarras desta terra para a verdadeira glória do Céu, então subir por esta via que é Cristo significa também reconhecer o próprio lugar, saber que estamos, por nossas próprias forças em baixo, ali onde muitas vezes nossas más escolhas e pecados nos lançam. Ter consciência de si, saber compreender a vida e a dimensão das próprias escolhas com sinceridade nos faz enxergar também quem é Deus em sua misericórdia, que nunca desiste de nós e, não levando em conta nossos erros, sempre se mostra disposto a acolher-nos, assim, nos braços de Deus, entregue à sua misericórdia seremos verdadeiramente exaltados, porque seremos também reconhecidos e elevados por Aquele que tudo cria e sustém. Porém, se confiamos em nós mesmos, fazendo de nosso “bom agir” mera vaidade e não caminho de encontro com o Senhor que tudo providencia em nosso favor, iremos ter como fim a vaidade que tanto perseguimos, apenas vazio e fumaça. A humildade na vida cristã é em primeiro lugar reconhecer onde estamos e para onde queremos ir e, neste sentido, permitir que o Caminho (cf. Jo 14, 6) se apresente para nós, conduzindo-nos à meta (cf. Fil 3, 20-21).

 

28/03/2025 – Sexta-feira da III Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Marcos 12, 28b-34

Cumprir verdadeiramente os mandamentos de Deus não significa impor rigidez ao coração humano, mas de tal forma libertar este coração que ele possa saciar-se na fonte da vida que é Deus e desta fonte transbordar também para o mundo inteiro. Amar a Deus sobre todas as coisas significa em princípio buscar alimentar-se nesta fonte de vida e vida plena, amar a Deus requer em primeiro lugar permitir-se ser por ele também amado. Então, como é próprio do amor amar tudo o que lhe lembra o ser amado, aquele que ama verdadeiramente a Deus, ama também seu próximo, porque vê ali a imagem e a semelhança de Deus. Este é o verdadeiro sinal de inteligência, saber escolher o melhor da vida, entre todas as coisas discernir o necessário. Essa inteligência ultrapassa a mera erudição, é a verdadeira sabedoria, que é saber escolher o melhor da vida e o melhor sempre será amar a Deus sobre todas as coisas, que tem como consequência, amar com o mesmo amor com o qual somos amados.

 

27/03/2025 – Quinta-feira da III Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 11, 14-23.

Surpreender-se com Deus, sim. Escandalizar-se por causa de Deus, nunca. É também isto que este tempo quaresmal nos coloca como reflexão. Grandes são os desígnios de Deus e seu agir é pura misericórdia, o Senhor vindo em nosso auxílio não busca necessariamente realizar nossa vontade, mas dar-nos exatamente aquilo que mais precisamos. Porém, quando Deus age, também se revelam as forças opostas, e não poderia ser diferente, pois a luz também coloca em evidência as trevas (cf. Jo 1, 5) e estas, alvoroçadas, fazem combate, mas não prevalecem. Os que escutam a Palavra de Deus, que se deixam guiar mais pelas contradições do seu coração do que pelo agir misericordioso do Senhor manifesto aos seus olhos, tentam deturpar a manifestação de Deus, pondo em evidência de fato o que trazem em seu coração e, deste modo, colocando-se contra Deus, se tornam inimigos. Não precisa de maiores sinais, Deus não precisa fazer-se crido por nós mediante pompas, mas sim quer manter conosco relação que se realiza pela confiança no amor. Conhecer e perceber o Reino é atentar-se para os sinais de vida e libertação que este mesmo reino apresenta e proclamá-los também com a vida. Então, o que nossos olhos veem, como percebemos o agir de Deus? Será que não temos tributado ao inimigo de nossas almas aquilo que é libertação de Deus em nossas vidas? É preciso maior força e discernimento para perseverarmos, não podemos nos dar por certos e satisfeitos diante de Deus, o Senhor sempre nos surpreenderá. Guiados pelo Espírito, peçamos ao Bom Jesus que nos dê a graça de o seguirmos e nunca nos escandalizarmos de sua vida e ação em nossa história, mas de nos alegrarmos com sua misericórdia que se derrama sobre todos.

 

26/03/2025 – Quarta-feira da III Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Mateus 5, 17-19

Levar o homem à perfeição, é restituir o seu lugar junto de Deus de onde o pecado nos expulsou. O Verbo Eterno de Deus, ao fazer-se carne, não buscou perder o que antes fora revelado, mas mostrar que esta Lei dada aos primeiros pais deveria sair da imagem das Tábuas de Pedra e fazer vida na vida do homem, a Palavra de Deus deve se fazer carne na nossa carne. Por isso, o próprio Senhor Jesus vem, conhecido como homem exteriormente, ensinar-nos qual a verdadeira plenitude da Lei, sua vida mostra mais do que qualquer outro ensinamento como realmente deve ser a vida de quem busca agradar a Deus. É seguindo, portanto, o Evangelho que se alcançará o céu, porque seguir o Evangelho, viver como Jesus viveu é cumprir perfeitamente a vontade do Pai para todos aqueles que reúne como filhos no seu Filho (cf. Rm 8, 16-18; 1Jo 3,2). Sendo assim, trair a Lei é trair a Cristo, mas a Lei aqui está para além dos escritos antigos, aqui é a Lei da vida, que é escrita em nossos corações pelo Espírito que vem do Pai pelo Filho. Sejamos, portanto, fieis e perseverantes ao cumprimento da vontade de Deus, sejamos amigos de Cristo e aprendamos dele que é manso e humilde de coração (cf. Mt 11, 29)

 

25/03/2025 – Solenidade da Anunciação do Senhor

Evangelho do dia: Lucas 1, 26-28

Um novo tempo surge na história quando cada homem e mulher que escutam a voz de Deus se dispõem em seguir e aceitar sua santa vontade. Um novo tempo acontece quando nos permitimos as surpresas de Deus em nossas vidas. De fato, nem sempre conseguimos compreender até onde nos levará o desígnio de Deus, e dada sua grandeza, é difícil acreditar que o Senhor tão grande queira se utilizar de criaturas suas para fazer irromper o seu Reino neste mundo. Mas, é exatamente esta vontade de Deus que faz de nós mais do que criaturas, filhos amados e escolhidos. O que Deus realizou de maneira única e sublime em Maria, a Mãe da nova humanidade que é regenerada no fruto do seu ventre, é o que, de certo modo, deseja também fazer em cada pessoa para quem dirige sua vontade, e esta pode até nos assustar, porque é bela demais, grande demais... Porém, a graça de Deus não exige grandes façanhas, mas de nós um grande amor que age pela confiança, por isso, o primeiro passo para fazer a vontade de Deus é imitar Maria, ou seja, permitir que antes de tudo, faça Ele sua vontade em seus servos. O novo de Deus que entra em nossa história, que caminha conosco entre nós a cada passo é sim possível, quando nos deixamos guiar pelo Espírito que gera Jesus nos filhos de Deus. Não há medo onde existe amor (cf. 1Jo 4, 18).

 

24/03/2025 – Segunda-feira da III Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 4,24-30

A quem somos enviados? Deus nos chama, isso sabemos, mas, para quem o Senhor nos envia? Este ide, sem dúvida será sempre um dos maiores desafios de nossas vidas. No evangelho de hoje, Jesus nos faz entender que nem sempre os escolhidos virão de um grupo específico, mas o Senhor lança sua misericórdia para os que precisam. Como povo de Deus, mas do que reter a graça, devemos ser profetas para aqueles mesmo de fora e longínquos precisam renovar sua esperança. Não deveria nos causar repulsa alguma essa graça que Deus derrama sobre nós, pois nossa missão é ser agentes de esperança. Porém, nem sempre reconhecemos essa graça de Deus, acabamos rechaçando os bens que o Senhor faz em nosso favor e aqueles que Ele, o Senhor, envia para nos consolar, mas também para nos corrigir. É preciso um grande amor e uma grande docilidade ao Espírito para não fecharmos o coração a Deus por causa da contradição de nossas vontades muitas vezes egoístas. A graça de Deus sempre encontrará quem dela precise, que sejamos nós também receptáculos desta graça para fazê-la transbordar sempre através de nós.

 

23/03/2025 – III Domingo da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 13, 1-9

Os frutos que damos é que define o tipo de vida que vivemos. Nem sempre como terminamos nossa vida realmente aponta quem somos nós de fato. O Evangelho de hoje, é muito claro em nos mostrar exatamente isto. Deus não tem apreço em castigar os homens; e as dificuldades e dores que enfrentamos não significam que estejamos necessariamente sendo castigados pelos nossos pecados, ainda que, todo pecado traga amargas consequências. Mas, o que nos define, de fato, para além do nosso fim, é o nosso modo de viver, se estamos dando frutos dignos de conversão ou não, neste ponto devemos temer muito; não a morte do corpo, mas a nossa morte para a vida eterna. Enquanto estamos neste mundo, independente do que nos aconteça, é sempre tempo de conversão, mas, quando nos forem cobradas as contas da vida que levamos, já não importará o tipo de morte, mas sim, as consequências da vida que escolhemos ter vivido. Não esqueçamos, o justo que nos salva morreu de maneira atroz em uma cruz, e no seu sofrimento nos salvava, mas sua vida, frutificou em misericórdia para o mundo inteiro por onde passou (cf. At 10, 38)

 

22/03/2025 – Sábado da II Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 15, 1-3.11-32

Para Deus todos podemos voltar a viver, e em grande graça. Deus espera por cada um de nós sem levar em conta os tempos passados, sem se atentar às sujeiras ou imundícies que vamos acumulando ao longo da vida... Deus sempre espera por nós. Nesta caminhada quaresmal, na medida em que vamos aprofundando este processo de conversão, percebendo a grandeza do que o Eterno Senhor tem para nós em comparação com tantas coisas às quais vamos nos apegando aqui na terra, mais deveríamos ter a consciência de que muito ou quase tudo do que aqui nos oferecido como satisfação e prazer, na verdade tende muito mais a rebaixar nossa dignidade, e aí quando nos consideramos mais livres, para surpresa nossa é que nos percebemos mais escravos e necessitados e, na angústia de querer saciar essa vontade, esse desejo de vida, infelizmente nos permitimos a alimentar nossa alma como animais. Entretanto, Deus nunca nos esquece. O evangelho que hoje nos é apresentado nos traz exatamente isto, Deus nos espera, não quer saber do que fizemos antes, ele não precisa, porque sua maior alegria é ter-nos novamente em seus braços, em seu abraço. Para mim e para você, Deus faz festa quando voltamos. Porém, é preciso ter cuidado para que, como o filho mais velho da parábola que nos é apresentada, não sejamos cruéis e desdenhosos com aqueles que voltam. Deus é rico em misericórdia e seu amor abraça toda criatura, tanto nos tem dado o Senhor e, por não sabermos aproveitar, não nos darmos conta das grandes graças que ele nos derrama, acabamos não conseguindo viver a alegria da vida nova de muitos que retornam, ainda que machucados, sujos e feridos para a casa do Pai. Que o Senhor nos dê a graça de termos um coração não apenas aberto à conversão, mas também um coração acolhedor para com os que desejam voltar para a comunidade, para os que voltam para casa, para a Igreja, família de Deus neste mundo. Que vivam nossos irmãos.

 

21/03/2025 - Sexta-feira da II Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Mateus 21, 33-43.45-46

Quais frutos Deus espera de nós? O que temos conseguido ofertar a Deus diante de tudo o que o Senhor tem feito em nosso favor? O Autor da vida concedendo-nos participar de sua graça, derramando sobre nós suas graças, com certeza deseja que estas mesmas transbordem de nós para todos os cantos e pessoas que nos cercam. Sim, pois é para isso que nos trata, enquanto povo seu, como vinhas, plantação sua destinada a dar bons frutos que alegrem verdadeiramente o coração do homem. Então como temos cuidado das graças que o Senhor nos tem dado? Temos dado reto caminho para nossas vidas ou estamos apenas passando pela existência sem fazer diferença significativa nenhuma no mundo ao nosso redor? Os frutos da minha existência hoje são capazes de alegrar e satisfazer o coração de Deus, ou temos usado de suas dádivas para rejeitar seu projeto de salvação universal? Jesus aqui nos mostra que os dons de Deus são irrevogáveis, mas para aqueles que dele sabem fazer bom uso. Fora do reto uso, mesmo as coisas boas podem se converter em grande mal se não as soubermos dirigir retamente. Para os que fazem o bem, contudo, é preciso ter muita coragem para lidar com a ira e a inveja dos que se acham poderosos. O que nos sustenta a confiança de que fazemos a obra de Deus e ela mesma é que nos sustentará.

20/03/2025 – Quinta-feira da II Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 16, 19-31

Caríssimos irmãos e irmãs, o chamado de Deus é para hoje, não podemos contar com o dia de amanhã como certo, porque não sabemos com certeza se o teremos. Basta-nos o dia de hoje com suas preocupações para vermos o quanto ainda precisamos melhorar a nós mesmos e o quanto também a realidade ao nosso redor nos pede ajuda. De fato, cumprir a vontade de Deus não é um interesse egoísta, isso porque seguir a Jesus Cristo requer de nós realmente trilhar seus passos, que forma de misericórdia por onde passou (cf. At 10, 38), requer desapegar nosso coração das ganâncias e vaidades deste mundo, e quanto é tempo angariar tesouros no céu. Mas como o céu não se compra com ouro nem prata, observamos, no exemplo de Jesus, que suas portas se abrem pelo alto valor da caridade que opera com misericórdia. A parábola que hoje nos apresenta o Evangelho, sobre o pobre Lázaro e o rico avarento nos mostra exatamente isso, fazendo eco ainda às tentações do deserto que recebemos no I Domingo da Quaresma, o apego aos bens deste mundo, o desejo de possuir as vaidades desta terra tem um preço altíssimo, este preço é a eternidade. Não podemos realmente contar com o dia de amanhã como certo, porque não sabemos se o teremos, logo podem nos ser pedidas as contas desta vida e não será com as riquezas deste mundo que pagaremos. Que o Senhor nos dê a sua graça de podemos corresponder à sua providência em nossa vida partilhando com nossos irmãos mais necessitados, não o que cai de nossa mesa, mas o melhor que trazemos em nossas vidas.

19/03/2025 – Quarta-feira da II Semana da Quaresma – Solenidade de São José, esposo da Bem-Aventurada

Virgem Maria

Evangelho do dia: Mateus 1, 16-18-21.24a

Não ter medo dos sonhos de Deus em nossa vida, isto é o que nos ensina o glorioso São José, mesmo que a custo de nem sempre entendermos o que Deus realmente quer e deseja de nós, não deveríamos nunca duvidar que o melhor Ele tem, a fim de cumprir de maneira grandiosa sua vontade em nossas vidas. As graças que Deus nos concede, mesmo que em situações delicadas, o chamado que Ele nos faz, mesmo que pareça estar além de nossas forças, sem dúvida são caminho de vida e santificação, não somente para nós, mas também para tantos outros irmãos e irmãs que põem suas esperanças nas promessas de Deus. Sim, também nós podemos ser a resposta de Deus para muitos, o meio pelo qual o Eterno entra na história, sendo protegido e cuidado. Confiar na obra do Espírito Santo significa lançar-se com confiança em Deus, receber seus dons e graças com coragem e determinação para que nada se perca e tudo possa acontecer conforme a vontade divina. Deus conta conosco para levar à termo sua vontade. Assim como São José, nosso glorioso defensor, que obedecendo a Deus acolheu a Virgem Maria que trazia em seu ventre o Salvador, também nós podemos iluminar o mundo com a Salvação que nos é dada pelo mesmo Cristo ao derramar sobre nós, de junto do Pai, o Espírito. Querer a vontade de Deus, sonhar os seus sonhos é abrir o caminho para a chegada do Céu na terra.

18/03/2025 - Terça-feira da II Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Mateus 23, 1-12

O mundo tem sede de Deus, ainda que não saiba onde buscar a fonte, sente a necessidade desta alegria e paz que só o Eterno pode derramar com abundância sobre nossa existência tão finita. Por isso, muitas vezes se confundem os que falam de Deus com o próprio Deus. Nesta vida, devemos ter sempre consciência de que não é para nós que buscamos atrair olhares e admiração, mas para Deus, pois assim como tudo passa, também nós passamos pelos outros e este por nós, ainda que se deixem mutuamente marcados, apenas Deus nos pode acompanhar completamente até a fim. Por isso, nossa missão é mostrar para todos a Verdade que é Cristo e fazer com que o mundo inteiro o conheça e o busque, é para ele que devemos dirigir nossas vidas, porque somente Ele nos basta e, sabendo de nossas necessidades, o melhor haverá de providenciar em nossas vidas. Não deveríamos ter interesse de criar discípulos nossos, de fazer da pregação e de nossos dons caminho de satisfação de nossas carências. Mas, em tudo promover a glória de Deus, o único realmente capaz de dar sentido a todas as coisas.

 

17/03/2025 – Segunda-feira da II Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 6, 36-38

A grande graça que alcançamos pelo caminho da purificação que nos é proposto pela Quaresma, mas do que graças exteriores, por mais proveitosas que sejam, mais do que o autodomínio, por mais importante e necessário, é a grande graça de nos tornarmos mais parecidos com Deus. Na medida em que vamos abrindo mão das coisas que não condizem com nossa vida, com os planos de Deus para nós, vamos percebendo que enquanto peregrinamos neste mundo, muito pouco precisamos reter e muito mais devemos dar. Ser misericordioso como o Pai, significa acima de tudo, ser doador da graça que salva, promotor da paz que eleva e conforta os corações, sobretudo os mais atribulados, sustentando-os no caminho da vida. Na mesma medida em que medimos, seremos também medidos, isso quer dizer que na medida em que nos elevamos das coisas deste mundo, triunfamos sobre elas a fim de alcançar a vontade e a graça de Deus, mas nos tornamos capazes de atrair também para Deus todas as coisas ao nosso redor, porque o coração sempre demonstra suas reais intenções, seja no agir, seja no sentir que o move, mas a verdade, de uma forma ou de outra sempre se revela e com isto suas consequências. Por isso, neste tempo de purificação e iluminação, peçamos ao Senhor que nos dê a graça de corrigirmos o caminho de nossas vidas, colocando-nos sempre a disposição de sua vontade, para que sua graça aja não apenas em nós, mas também através de nós.

16/03/2025 – II Domingo da Quaresma

Evangelho do dia: Lc 9, 28b-36

Caminhar com Jesus é saber que sua vida é o que nos espera. De fato, muitas vezes precisamos parar para contemplar a glória de Deus em nossas vidas para não perdermos de vista a meta à qual somos chamados. Todo o processo de que passamos, sobretudo nesta época quaresmal, não tem como fim último apenas nos tornar pessoas melhores, ou mais “espiritualizadas”, isso é apenas consequência. O fim último de nossas vidas é contemplar a glória de Deus, que não segue a mesma lógica da glória deste mundo, pois não é a ânsia de possuir que caracteriza o agir de Deus, mas o desejo de doar, de resgatar de atrair para si através de si. Por isso, Jesus leva também nós que somos seus discípulos a subir com Ele ao monte, ir para um lugar elevado, mesmo cansados, e talvez por isso mesmo, onde então contemplaremos a glória de Deus, ainda que como vislumbre. É preciso sempre trazer em nosso coração essa esperança renovada do céu, não esquecer quem nos chamou, porque Ele é o enviado do Pai, o Filho, o Escolhido para remir seus irmãos, para cumprir as profecias e levar a cabo toda a Lei de forma plena. Deste modo, ainda que nos seja desconfortável aceitar, devido a fragilidade da natureza humana, passaremos a perceber que a cruz não é castigo do pecador, mas para os que amam a Deus e, em Deus, os seus irmãos, a cruz é a glória para os que busca levantar-se, porque nela está o Filho, o Enviado, cuja palavra sara e salva toda a criação. Como é bom contemplar a Deus, e o fruto desta contemplação deve ser o fortalecimento da fé para continuarmos a marcha, porque enquanto estamos neste mundo a batalha é perseverar, não necessariamente nos cumprir leis ou perscrutar profecias, mas na Palavra do Filho de Deus, pois só n’Ele sim temos a vida e a libertação, A vida de Cristo é o que nos espera, no céu a glória, na terra sua imitação.  

15/03/2025 – Sábado da I Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Mateus 5, 43-48

O que poderíamos entender por perfeição? Geralmente a isto atribuímos a ideia de algo pronto e acabado que não precisa de retoques, no qual nada falta, em suma, sem falhas ou faltas a serem remediadas. Logo, “sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5, 48), parece ser uma audácia muito grande, dada nossa fragilidade. Por isso, nesta vida nova que buscamos e que não podemos criar ou alcançar por nossas próprias forças, o Eterno derrama sobre nós o Espírito, que assim como este anima nossa vida natural, também nos dará a vida imortal com Cristo. Esta vida imortal, já podemos usufruir dela nesta vida na medida em que vamos limpando de nossa conduta tudo o que não convém a Deus, portanto, acima de tudo nosso amor dever ser perfeito (cf. Cl 3, 14, 1Pd 4, 8), sem fazer acepção de pessoas, de modo especial o amor com aqueles que nos perseguem, que nos fazem mal, aí, então, mostraremos de quem realmente somos filhos. Esse processo de conversão, essa mudança de mentalidade e atitude realmente não é fácil, mas é preciso que tenhamos em mente que nossa meta não é satisfazer ou deixar de satisfazer as criaturas deste mundo, nem mesmo quando se trata de nossos desejos, mas de fazer a vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável (cf. Rm 12, 2). Por mais difícil que seja, se nosso coração estiver em Deus, como aliás rezemos em todas as missas no prefácio da oração eucarística, então mesmo o peso da Cruz será leve, porque ali encontraremos nosso Amor que a carrega conosco a ponto de morrer em nosso lugar. Deixemos que Deus faça em nós a sua vontade e tudo mais nos será dado (cf. Mt 6, 33).

14/03/2025 – Sexta-feira da I Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Mateus 5, 20-26

Quanto mais vamos aprofundando na intimidade com Deus, quanto mais vamos adentrando na experiência do abandono e confiança, reconhecendo a nós mesmos e Aquele que nos chama, então mais vamos percebendo também o quanto é exigente a vida nova que o Senhor nos pede. Não porque ele nos peça algo que esteja para além de nossas forças, porque ao mesmo tempo que nos vocaciona, ou seja, nos chama, o Senhor mesmo nos dá a graça de lhe correspondermos. Mas porque corresponder a Deus significa uma constante e profunda conversão não somente das ações, mas dos afetos, dos desejos, das percepções, enfim, uma mudança completa, porque assim nos quer o Senhor, independente do estado de vida, nos quer todos para si. Portanto, se nosso viver for apenas para impressionar os outros, se nossa justiça valer apenas para medir nossos irmãos, mas não servir para transformar nossa própria vida, ela é falsa, porque a medida primeira que devemos aplicar é sobre nós mesmos. Contudo, assim como a justiça de Deus em primeiro lugar não está em condenar o pecador, mas reconciliá-lo com o Senhor, do mesmo modo, nossa justiça deve refletir a do Eterno, antes de maltratar ou condenar nosso irmão, devemos reconciliá-lo conosco mesmos, consigo e com Deus, de modo que a falta cometida, antes do que punida, seja perdoada e apagada. Por outro lado, se tardamos em abraçar essa nova vida que é assemelhar-se ao Senhor, Bondoso e Belo Pastor, também colheremos os frutos de nossa omissão, porquê da justiça de Deus ninguém foge, e como fogo ele exterminará tudo aquilo que não lhe convier quando o Justo Juiz voltar, “a misericórdia, porém, triunfa sobre o juízo” (cf. Tg 2, 13).

13/03/2025 – Quinta-feira da I Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Mateus 7, 7-12

O que temos buscado neste caminho da vida? No percurso quaresmal que percorremos, na medida em que vão purificando nosso coração e nos libertando de tantos pesos e estorvos na caminhada rumo ao céu e a visão sobre as coisas da vida vai ficando mais clara, o que fica para nosso coração como norte para onde aponta nossa bússola interior? Ora, o que queremos de Deus? Seriam apenas seus dons, suas graças, sua bençãos e consolações? Mas, não fazem parte do caminho também o deserto e a cruz, que ainda que não seja o fim, é parte importante da vida de todos os que desejam seguir o Mestre. Portanto, buscai e pedi e vos será dado, mas buscai e pedi segundo o coração de Deus, mesmo que não saibamos como pedir ou o que pedir, o Senhor saberá o que mais nos convém (cf. Rm 8, 26-27), precisamos apenas confiar e deixar que sua vontade nos guie. O Senhor, então, nos dará o grande e mais sublime dom: o Espírito, que o Pai derrama sobre nós através do seu Cristo, este mesmo Espírito que guiava Jesus no deserto (cf. Lc 4, 1), é o mesmo que nos guia em nossa peregrinação desta vida fazendo-nos firmes e fortes na aceitação da graça de Deus. Confiar em Deus, lançar-se na busca de sua vontade, sabendo que nesta aventura Ele nunca nos faltará. Este é o grande desafio e, ao mesmo tempo, a grande beleza da vida vocacional: o amor que confia, que se deixa podar e transformar, que é sincero e verdadeiro consigo mesmo, com Deus e com os irmãos, para que mais facilmente o chamado do Eterno Senhor ecoe não somente em nossos corações, mas através de nós alcance muitas outras vidas.

12/03/2025 – Quarta-feira da I Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 11, 29-32

O que realmente buscamos de Deus? Quando o Senhor se calar, quando seus sinais não já aparecerem, ainda iremos querer sua presença? ainda nos decidiremos por Ele? Penso que mais do que presente ou qualquer outra prova exterior de amor que se possa dar, o maior sinal de quem ama é estar presente na vida do amado. Assim, nos mostra Jesus no trecho que hoje escutamos quando muitas pessoas pediam sinais para que acreditassem em suas palavras, sinais grandiosos e estupendos, as pessoas não queriam Jesus, queriam o espetáculo de uma fé fincada não em Deus mesmo, mas nas suas obras. Acontece que enquanto estamos neste mundo, nosso coração, por sua volatilidade sempre será inconstante e insatisfeito, afinal, é exatamente esta busca que realizamos em nossa peregrinação terrena, encontrar aquilo que verdadeiramente nos basta, e se ansioso é nosso coração, insatisfeito por mais riquezas e amores que venha a ter neste mundo, é sinal de aqui não poderá encontrar o que lhe sustenta para sempre. Onde tudo é passageiro, é devera impossível encontrar algo que seja eterno. Por isso, nosso Senhor nos convoca, com duras palavras, a sairmos desta vivência de fé imatura que corrompe as mentes e os corações, porque capaz de tornar os dons de Deus dons de espetáculo, reduzir a relação com o Eterno em barganha para benefício e entretenimento. Jesus nos convida para além de todas as coisas, olharmos para Ele mesmo, ainda que tudo pareça calar, que ainda que os sinais não sejam vistos, que as consolações do céu não sejam sentidas, ali Ele está, mesmo naquilo nos venha parecer escandaloso demais, ou doloroso demais, como é a Cruz em ambos os casos, muito mais ali está o poder de Deus agindo. Quanto a nós, neste caminho do deserto quaresmal que atravessamos, é importante não perder de vista a meta: Cristo Jesus.

 

11/03/2025 - Terça-feira da I Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Mateus 6, 7-15

Na medida em que vamos aprofundando nossa caminhada quaresmal e vamos percebendo a vontade de Deus em nossas vidas, vamos notando o quanto pouco nos importa alimentar em nossos corações certas paixões que, ao invés de levantar-nos e elevar-nos, parecem muito mais nos rebaixar. Passamos a perceber que aquilo que nos basta para satisfação de verdadeiro prazer nesta vida não pode ser encontrado naquilo que passar, mas no que é Eterno, a Vontade de Deus é nossa paz. O caminho da oração, por ser exatamente este caminho de intimidade com Deus vai pouco a pouco nos configurando de tal modo com a vontade do Senhor que rapidamente nosso coração se satisfaz em notar que confiar em Deus e esperar seus desígnios, abraçá-los e vive-los é o verdadeiro caminho da paz, entre Criador e criatura e entre as criaturas consigo mesmas. Hoje, nosso Senhor Jesus ensina também a nós que somos seus discípulos que a verdadeira oração não consiste me belas palavras que agradam aos ouvidos da carne, que entretém ao qualquer outro que nos ouças, mas a mais bela e verdadeira oração é aquela que nos põe em intimidade com Deus, naquela solidão na qual não estamos de fato sozinhos, solidão, porque abandonados por todas as paixões que não nos levam a Deus, mas acompanhados sempre por Aquele que jamais se afasta de nós e cuja presença por si mesma transforma e eleva nossa vida. Aliás, assim se revela a vida de quem reza de verdade: quando é capaz de restabelecer a paz e o perdão, tal qual o próprio Senhor, porque como ato de amor, a oração transforma o coração de quem ama mais semelhante ao Amado, para poder assim recebê-lo.

 

 10/03/2025 – Segunda-feira da I Semana da Quaresma

Evangelho do dia: Mateus 25, 31-46

O caminho quaresmal vai começando a ser traçado, isto é, o caminho de purificação, que é também de decisão, vai apresentando suas exigências e estas mesmas nos devem comprometer por completo. De fato, o Reino de Deus não é para quem fala bonito de Deus apenas, sua proposta não se resume para quem “reza com palavras que tocam o coração”, mas o Reino é para todos que os que têm coragem de amar bem, amar de verdade, ou seja, ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus (cf. Fl 2, 5). E quais são os sentimentos de Cristo? Sem dúvida, são os que, para além do afeto, revelam uma profunda decisão de vida para resgatar o ser humano de todas as situações de dor e opressão que mancham a vida dos filhos de Deus e, por isso mesmo, muitas vezes os impedem de ver a Deus. No trecho do Evangelho que nos é proposto neste dia, durante esta caminhada rumo à grande festa da Vida, vemos que o Mestre não espera de seus discípulos nada de menos do que aquilo que mesmo fez: ir ao encontro dos considerados piores, ir ao encontro dos esquecidos, dos que nada nem ninguém tem por si e ser para estes o braço consolador de Deus. A vida de Deus, dada em abundância é capaz de transbordar sem se perder, por isso Cristo dá sua vida, porque dando-a não se a perde (cf. Mt 16, 25-26), assim quem dá sua vida por amor a Cristo não perderá nada jamais. Porém, os que busca guardar sua vida neste mundo a perderão, e com mais rigor serão julgados por ousarem usar o nome de Deus para justificar suas omissões. Caríssimos, a conversão não deve ser entendida apenas como a mudança de certos hábitos, mas como a mudança da própria vida, uma vida que se adapte à Cruz, porque é abraçando a Cruz que alcançaremos a vida eterna, é dando a vida por amor a Deus na história da humanidade que revelaremos, mais do que com nossas palavras a presença do Onipotente.

 

09/03/2025 – I Domingo da Quaresma

Evangelho do dia: Lucas 4, 1-13

O caminho está aberto, independente por onde o Mestre nos leve, segui-lo implica deixar-se guiar pelo Espírito. O caminho quaresmal, mais do que um caminho de práticas exteriores, é um caminho da descoberta de Deus na profundidade da humanidade ainda muito marcada pelo pecado e corrompida em seu íntimo. “Sede atentos”, nos alertava o Senhor no início desta caminhada na Quarta-feira de Cinzas. Atentos, porque nesta descoberta de Deus na vida é preciso encarar a vida, não tem outra maneira. Mas, não a vida idealizada, mas essa vida real que vivemos e que muitas vezes manchamos com nossos pecados quando damos ouvidos às ilusões do astuto inimigo, que atentando pelos nossos prazeres nos parece incitar o descanso e saciedade, mas na verdade buscar no fazer acomodar partilhando não pão da vida, mas da desobediência. Realmente seguir a Cristo nem sempre será fácil, nem sempre será confortável dar o “sim”, mas aí nessa fraqueza Ele, o Pão da Vida nos alimenta, pois qualquer outro pão não satisfaz o coração do homem, ainda que engane seu corpo, o desejo mais profundo de nosso coração é satisfeito por Aquele alimento que desce do Céu, a Palavra feito carne (cf. Jo 1, 14; 6, 30-58; Mt 4,4; 26, 26-29). Seguir a Cristo, encontrar n’Ele nossa alegria e esperança é entender que este mundo passa e com ele suas riquezas, como já nos disse o Senhor, que nos adianta, no fim de tudo, ganhar este mundo, se para isso corrompemos nossa vida, nossa alma (cf. Lc 9,25)? Porque correr o risco de sermos escravos de tão baixas obras, se podemos servir e reinar com o Senhor de tudo? Esta é a segunda tentação, a ilusão de domínio, mas não é senhor quem governa reis, o verdadeiro guerreiro é quem governa a si mesmo (cf. Pr 16, 32), e essa liberdade, que para nós foi querida desde o princípio, nos foi reconquistada por Cristo (cf. Gl 5, 1). Mas, está glória é reservada para os que são fieis, é a glória dos filhos, não dos comerciantes, não é uma relação de troca, mas uma relação de filiação que se vive na confiança e obediência. Não tentar a Deus significa que não precisamos temer nada nem provar nada, precisamos sim confiar e no tempo certo, de modo muito mais profundo e verdadeiro, Ele agirá. Quanto mais firmes e perseverante formos, mais preparados para as lutas da vida, que só venceremos no céu, enquanto aqui lutamos, todos os dias é uma oportunidade para vencermos. Que o Senhor nos dê a graça de sermos em sua vontade dignos da coroa reservada para nós no céu (2 Tm 4,8)

 

08/03/2025 – Sábado depois das Cinzas

Evangelho do dia: Lucas 5, 27-32

Na estrada com Jesus, aprendendo em tudo a amar a Deus e, nas adversidades que surgirem, olhar sempre para o Senhor. Olhares que se encontram, pois sobre nós já desce a face do Senhor e, por si, ele já nos purifica e transforma. A Palavra de Deus é vida que gera vida (cf. Hb 4, 12), separando o que temos de mais interior daquilo que por qualquer motivo venhamos a apresentar exteriormente e, como diante da verdade ninguém se esconde, a presença desta Palavra que é o Cristo no meio de nós (cf. Jo 1, 14), revela o que temos de melhor. Se Deus aponta nossos pecados não é para nos envergonhar ou castigar, para nos fazer ver que sua fealdade não condiz com a beleza para qual nos criou, assim, ele cura em nós os olhares que pareciam nos definir, que poderiam nos ver como mal feitores ou pecadores inveterados. O olhar de Deus nos vê com bondade, como enfermos em processo de cura, esta cura se dá no seguimento do Evangelho, que é como a receita do médico para a salvação de nossas vidas. Seguir a Cristo, responder o seu chamado, isto é, abraçar a vocação é caminho de salvação. Que o Senhor nos dê a graça de podermos deixar tudo o que nos mantém presos e adoecidos em nosso comodismo para O seguir rumo à Pátria Celeste, transformando tudo o que encontramos pelo caminho na força de seu olhar. Que vejamos como Deus vê.

 

07/03/2025 – Sexta-feira depois das Cinzas

Evangelho do dia: Mateus 9, 14-15

Na estrada desta vida rumo ao céu sem dúvida nos depararemos com muitos obstáculos, alguns destes procurando enfraquecer e deturpar nossa fé. De fato, existem alguns, mesmo entre os cristãos, que consideram suas práticas mais valiosas que a própria graça de Deus, fazem de seu esforço pessoal sua glória, colocando-se como deuses de si mesmo, apesar de seu discurso parecer outro. Mas os que conhecem a Cristo sabem onde e como viver a verdadeira fé, unidos ao Mestre. Permanecer com Cristo, unido a Ele e a seu Corpo, que é a sua Igreja, não é uma realidade que desconhece a dor e, algumas vezes o sofrimento, sobretudo em nossa missão de evangelização. Mas, coragem, ele está conosco (cf. Mt 28,20; Is 41, 10), e isto nos basta para não nos compararmos. Entretanto, dias existem, em que o Senhor estará silencioso, parecerá distante, suas graças, seus dons, sua presença, tudo isso parecerá esvanecer-se, porque o mundo impiedoso travará batalha feroz, aí sim, nessa hora mais fortemente nos recolheremos, mas no lugar do desespero, deverá haver silêncio, pois o Esposo nunca abandonará sua Esposa, porque o Amor não perde jamais o amado de vista... Mas ele estará lá no campo da batalha, onde não poderíamos vencer, lutando nossas lutas, sofrendo nossa morte para que vivamos sua Vida. Neste dia sim, haveremos de jejuar e chorar, não porque fomos abandonados, mas porque tão caro será o preço de nosso amor que nosso coração se dobrará diante disso. O preço do amor é cruz de quem nos ama até o fim (cf. Jo 13, 1).

 

06/03/2025 – Quinta-feira depois das Cinzas

Evangelho do dia: Lucas 9, 22-25

Neste caminho quaresmal, uma vez que somos convidados a reencontrar nossa vida em Deus, poderíamos e nos perguntar: “O que nos vale seguir esse caminho do Mestre? Veja seu fim... Será que vale a pena passar por tudo isso, será mesmo necessário tantas renúncias?”. Contudo, esse tipo de pergunta frequentemente surge em nossos corações quando pensamos apenas em nós mesmos de modo egoísta, isto é, pensamos em nós de uma maneira inflada por causa do excesso de amor próprio, portanto de forma distorcida, porque a fonte de todo amor, mesmo o próprio, deve ser Deus e diante de tão bom Senhor, a primeira coisa que se revela é que dele dependemos e que sem ele, mesmo o maior bem que venhamos a fazer ainda surge muito manchado. O coração que se dispõe a seguir o Mestre, não é cego ao caminho e seus desafios, mas seu olhar está n’Aquele que vai adiante, o próprio Senhor Jesus. A pergunta mais sensata deveria, então, ser: “Quando chegar meu fim, pelo caminho que terei percorrido, o que me valerá ter caminhado, quer dizer, o que ou quem encontrarei no fim da estrada?”. Aí descobriremos a verdadeira resposta, pois dependendo do caminho que seguimos podemos encontrar o Mestre que vai à frente tornando plano os caminhos e seguros nossos passos, pois que é o Verbo de Deus, luz que espanta a noite (cf. Jo 1, 1-4; Sl 119, 105), ou podemos tatear pelas sombras deste mundo, a procura de seguranças e consolações, que resultam, no fim de tudo, em sombra que passa. Escolhamos, pois, o certo, ninguém perde a vida entregando-se à Vida, o Cristo Jesus (cf. Jo 14,6). Amar é se doar, pois “quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim a salvará” (Lc 9, 24).

 

05/03/2025 – Quarta-feira de Cinzas, início da Quaresma.

Evangelho do dia: Mateus 6,1-6.16-18

Caríssimos irmãos, “ficai atentos”, assim inicia Nosso Senhor quando fala com seus discípulos. Mas ficar atentos a quê? Atentos para que nossa vida seja vivida diante de Deus e não diante das opiniões dos homens, isto é, das criaturas. Atentos para que seja nossa vida expressão da vontade de Deus em nós e não dos desejos da carne que buscam sim imperar sobre nós. Grande hipocrisia se firma no coração daqueles que, buscando agradar os homens, o fazem sob a capa da piedade, trocam o Deus que é sua glória, por um rei de carne, colocaram a criatura em lugar do Criador (cf. Rm 1, 25). Por isso, o Senhor nos pede que sejamos atentos, seu chamado o é para si mesmo, porque antes de enviar-nos para fazer algo, Deus nos chama para si, antes do “ide”, há o “vinde”. Por isso, nossa atenção deve estar em fazer as coisas por Deus, mesmo que sirvamos aos nossos irmãos e irmãs, o fazemos por amor a Deus e por este amor, podemos ir adiante e neste amor, disciplinamos nosso coração para a cruz, cujo caminho a Quaresma nos abre, por este amor, que se alimenta no escondido de nossas almas, preparamos nossa vida para a glória, porque “o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”. Que o Senhor nos dê esta graça: de vivermos de tal maneira escondidos nele, que todos os que nos encontrarem encontrem também o Salvador.